19 Outubro, 2009

Sim, nós podemos

Sim, nós podemos!

(13.10.09)

Por Carlos Eugênio Giudice Paz,
advogado (OAB/RS nº 55.243)

No segundo após o anúncio de que o Brasil seria o país sede da Olimpíada de 2016 me dei conta que vivo num país muito, muito, muito rico.

Demorei 52 anos para perceber que aqueles miseráveis em fila de SUS, morrendo na fila dentro de um hospital, ou em infindáveis listas de espera de um transplante que podem salvar suas vidas ou dar uma sobrevida; que aqueles que não têm condições de comprar remédios caros ou raros que têm de buscar na Justiça ajuda para obtenção desses e que muitas vezes recebem um não, com a explicação de que não temos dinheiro para isso; que aqueles que necessitam de radioterapia, mas que não tem aparelhos para isso; enfim que todos esses que sofrem o nosso dia a dia não tem mais que aceitar, de forma resignada o que até agora lhes foi imposto.

Sim, nós podemos salvar essa gente! Sim, nós podemos pagar seus tratamentos, seus transplantes. Sim, nós podemos cumprir os nossos direitos que estão previstos na nossa Constituição que nos garantem saúde, educação e segurança!

Temos, ou achamos que podemos ter R$ 25,9 bilhões para ver gringo ganhar medalha. Não nos esqueçamos que a nossa experiência com o Pan nos provou que gastamos 1.589% acima do previsto.

Façam as contas em cima do que estamos esperando gastar na Copa! Sim, nós podemos senhores advogados, juízes, desembargadores e ministros responsabilizar a União pelas barbaridades na saúde, na educação e na segurança. Porque quem tem esse dinheiro todo para a Copa não tem direito a se esquivar nos foros, tribunais ou nas cortes supremas das ações de indignados cidadãos e consumidores.

Todos aqueles senhores alegres que foram defender no exterior o nosso próspero país são os avalistas de qualquer demanda contra a União. Todos eles eram fiadores da promessa do evento Rio 2016.

Não dá mais para se chocar com cenas de crianças sem escolas, várias turmas dentro de uma sala só, sem mesas ou cadeiras, ou mesmo sem água para beber. Ou de hospitais infectos, sem leitos, ou mesmo os novinhos, mas sem profissionais para atender. Ou ainda de gente que morre em assaltos todos os dias.

Temos de denunciar e responsabilizar a quem de direito. É hora de ação! Temos dinheiro e muito! Reparem que foi criado um imposto para salvar a saúde, sempre desviado de sua função. Que imposto foi criado para a Copa? Nenhum!

Sim, nos podemos exercer nossa cidadania e responsabilizar maus administradores que buscam nos holofotes e flashes iluminar as suas mentes.

Na olimpíada do bom senso, da coerência, da responsabilidade, da transparência e da correta administração, devemos dar - por ocasião da proposta do Rio 2016, para nosso governo e seus fiadores - a medalha de papelão!

(*) E.mail: drgiudicepaz@gmail.com

30 Setembro, 2009

MORRER POR ZELAYA?

Morrer por Zelaya?
30/09/09 TopoTopo

Jayme Copstein

Quem deseja morrer por Zelaya? A pergunta absurda nasce de uma idiotice levantada por alguém nos bastidores do Governo, transpirada e por fim abafada prontamente pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a declaração peremptória de que o Brasil “não pretende intervir militarmente em Honduras”.

Durante todos esses anos, desde o fim da ditadura, redemocratizar significou para os patriotas de plantão sucatear as |Forças Armadas, como se a farda e não a insaciável fome de poder dos políticos fosse o obstáculo para normalizar a vida da Nação. Com alguns quartéis limitando o expediente à parte da tarde porque falta verba para o rancho, alguém falar em mandar tropas para a América Central é de rir.

O trágico em tudo é que há jornalista brasileiros brincando de correspondente de guerra, tentando impressionar leitores e ouvintes com as suas dificuldades de fazer a cobertura porque não conseguem entrar no prédio onde funcionava a nossa Embaixada. Funcionava,sim, hoje foi transformada em palanque de Manuel Zelaya, graças à trapalhada em que Marco Aurélio Garcia e seu obediente acólito, Celso Amorim, enfiaram Luiz Inácio Lula da Silva.

Seja qual for a evolução do quadro, as consequências para a imagem do Brasil são as mais desastrosas. Se Manuel Zelaya conseguir retornar à presidência, volta como ditador. A esta altura dos acontecimentos, excluindo-se uma improvável renúncia imediata de Roberto Micheletti para que o Judiciário assuma o poder, não há condições de se realizarem as eleições de novembro. O papel desempenhado pelo Itamaraty – sórdido, triste – terá sido o de contribuir para instalar uma ditadura na América Central.

Há, ainda, outra hipótese: que a crise hondurenha descambe para o confronto armado. Neste caso o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, terá deixado a marca da sua irresponsabilidade, manchando de sangue, como nenhum outro, a história brasileira.

A reprise

Flávio L escreve sobre “A Reprise”, coluna de ontem, em que é manifestada a falta de esperança em uma reforma política de fato. Repete sugestão que, de vez em quando, assoma entre os eleitores brasileiros e corre pela Internet: votar em branco ou anular o voto para protestar contra os corruptos.

Não duvido das boas intenções de Flávio nem de muitos dos que propagam este duplo equívoco.

Em primeiro lugar, voto em branco e voto nulo não anulam eleição. Apenas não são contados. Só existe uma possibilidade legal de se anular eleição no Brasil: fraude comprovada em mais de metade das urnas.

Segundo equívoco: deixando de votar em candidatos honestos para castigar os corruptos, o eleitor está castigando os candidatos honestos e recompensando os corruptos.

Vamos supor que ocorresse a hipótese impossível, por tão remota, que todos os eleitores anulassem seus votos e só os candidatos votassem em si mesmos. Todos chegariam empatados com um voto cada um. Assim mesmo a eleição teria validade e estariam eleitos os mais velhos, pois a idade é o critério para o desempate.

Será que as pessoas conseguem perceber a arapuca em que vão cair se derem ouvidos a esta sugestão?

E só para terminar: alguém já percebeu que, deixando de votar, para protestar contra Hugo Chaves, a oposição venezuelana lhe deu maioria absoluta no Congresso, permitindo mudar a Constituição e se perpetuar no poder? Alguém quer fazer isso no Brasil?

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12 Agosto, 2008

OUTRA VEZ

12.08.2008
DESOBEDIÊNCIA CIVIL
por Ralph J. Hofmann
“Não é suficiente ser deixado em paz por um governo que pratica a corrupção sistemática e cobra impostos para fazer mal a seu próprio povo!” – Henry David Thoreau

Citei esta obra de Thoreau num artigo uns dois anos atrás, não me lembro em que contexto. Mas o assunto sempre volta no Brasil porque passam os anos e sempre que nossas autoridades têm a oportunidade de corrigir graves distorções constata-se que não existe no “mercado” dos dirigentes da nação qualquer centelha de generosidade e auto-sacrifício pelo bem maior da nação.

Esta manhã o que me leva a este comentário é a decisão de que, sim, os candidatos com processos, freqüentemente muitos processos, em andamento, tem direito a serem candidatos.

Isto significa a penalização do inocente para proteger os direitos do culpado. Isto num país onde se empurram os processos com a barriga até que sejam arquivados por decurso de prazo.

Creio que ao escrever o “Bill of Rights” e os documentos daí decorrentes. De onde derivam todas as constituições e declarações de direitos humanos, se visava com isto o direito à liberdade do indivíduo. Não seria mais possível um cacique ou um chefete local inferir uma culpa a um indivíduo sem provas razoáveis.

Trata-se, por exemplo, exagerando, do completo ridículo dos processos e fuzilamentos em Cuba no ano de 1959. Lembro-me de ver um jornal cinematográfico em que um oficial de Fulgêncio Batista era trazido para o estádio lotado. Um menino dentre a multidão gritava. – Ele matou meu pai. – Este simples grito na multidão servia para a condenação era o suficiente para que dez minutos depois o sujeito fosse encostado no “paredón” e fuzilado. Nós vimos isto. O governo de Cuba veiculava estes “tribunais”. Por séculos a justiça funcionou assim. Um desafeto podia acusar seu inimigo de alguma coisa e este seria executado, aprisionado, degredado ou escravizado nas galés sem muita investigação, sem se verificar as motivações do acusador, ou provas que apoiassem a acusação. E o reverso da moeda também era verdade. “Para os amigos: Tudo. Para os inimigos: Nada”.

Mas o direito a ser considerado inocente até prova em contrário não me parece ser cerceado se a pré-condição para ser eleito for vinculada a não ter processos em andamento. Afinal de contas, existe a condição de pessoas que potencialmente oferecem risco de fuga que são mantidas encarceradas enquanto aguardam julgamento, ou por representarem risco de fuga ou por, se culpadas, representarem uma ameaça à população. Claro, no Brasil o direito de “habeas corpus” tende a ser abusado no caso de réus abastados. Talvez porque não existam prisões decentes para manter pessoas acusadas e não condenadas em um ambiente com certa dignidade. Daí por que exista a ridícula norma de prisão especial para bacharéis.

Mas partir disto para autorizar um sujeito que tem processos em andamento a se candidatar a cargos eletivos, que por si só vem a escudá-lo de processos em cortes normais ou a postergar os processos para depois dos prazos de limitação já é liberalidade. Precisa haver uma cláusula “Chapeuzinho Vermelho”. Fica decidido que o Lobo Mau não pode ser tutor da menor Chapeuzinho nem de sua vetusta avó. A não ser que prove ser vegetariano.

Mas aqui se decide que o lobo pode inclusive correr solto entre redis de ovelhas servindo-se das mais gordinhas e apetitosas. Já o cão pastor fica preso numa corrente recebendo uma minguada ração e uma tigela de água.

Retornemos a Thoreau. Thoreau recusou-se a pagar um imposto “per capita” que o governo estabeleceu. Acabou preso. E ainda se recusava a recolher o tal imposto. O governo lhe ofereceu perdoar as dívidas passadas se pagasse o imposto corrente. Ele alegou que preferia ficar preso a pagar um imposto injusto para manter uma administração que considerava corrupta. O governo implorou que voltasse atrás. Ele continuou se negando. Finalmente, à sua revelia, seus amigos e parentes pagaram seus impostos (que a realidade eram apenas uma pequena quantia simbólica), à sua revelia para que fosse solto. E ele foi solto protestando. Dizia que era seu dever, naquele caso, praticar seu direito à desobediência civil permanecendo preso.

Sabemos o que aconteceria no Brasil. Se Thoreau estivesse aqui, o governo simplesmente fingiria que ele não existe. Fingiria que não pode ser encontrado. Fingiria que não tem provas contra ele. Para que arriscar virar a canoa. Assim também o governo pode fingir que seus nomeados para ministros de tribunais, ministros de estado são pessoas ilibadas, dignas de administrarem o país.

17 Dezembro, 2006

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

DESOBEDIÊNCIA CIVIL
15.12, 17h52
por Rodrigo Constantino

"There will never be a really free and enlightened State, until the State comes to recognize the individual as a higher and independent power, from which all its own power and authority are derived, and treats him accordingly”. (Henry David Thoreau)


Henry David Thoreau escreveu um livro chamado Desobediência Civil para protestar contra a guerra que os Estados Unidos realizavam contra o México em 1846. Thoreau influenciou bastante o pensamento liberal americano, e era um forte defensor da idéia que o melhor governo é aquele que governa menos, ou seja, que mais respeita as liberdades individuais. Durante a guerra, Thoreau preferiu ser preso a pagar seus impostos, já que ele entendia que estaria contribuindo para a guerra caso transferisse recursos para o governo. Ele tomou esta decisão de forma consciente, e se sentiu muito mais livre na cadeia que seus concidadãos soltos, que eram, na verdade, escravos e cúmplices de um governo injusto. Seria o mesmo que perguntarem se é preferível ir preso ou matar uma criança. Nesse caso extremo, a resposta parece óbvia, e a grande maioria optaria pela primeira alternativa. É muito parecido, apenas fica mais sutil perceber que seu dinheiro está contribuindo diretamente para todas as atrocidades que o governo comete, já que dinheiro não possui carimbo.

É impossível ver a notícia deste indecente aumento que o Congresso aprovou recentemente para os próprios deputados e não lembrar de Thoreau. O ultraje é flagrante, e um Congresso envolto em inúmeros escândalos parece rir da cara dos otários pagadores de impostos, que por eufemismo são chamados de contribuintes. O abuso é total, e os deputados ignoram completamente a opinião pública, já sabendo da curta memória dos eleitores e da completa impunidade nesse país. O salário direto de um deputado passará para quase R$ 25 mil mensais, num país onde a renda média do setor privado, que paga a conta, oscila perto de R$ 1 mil. O custo total com um deputado, somando todos os benefícios indiretos, fica na casa de meio milhão de reais por ano. Uma verdadeira fortuna! Isso para que os deputados brinquem de “mensalão” e “sanguessugas”, desviando bilhões do erário, sabendo que nada será punido. O corporativismo no Congresso é total. Os deputados brigam por poder, mas na hora de proteger a categoria, a união faz a força, e os otários pagam a conta. Essa conta irá aumentar, pelo efeito cascata dessa medida, em quase R$ 2 bilhões por ano. Brasília já é, de longe, a maior renda per capita do país. O governo, em nome da luta contra a desigualdade social, é o maior concentrador de renda que existe.

O povo virou servo e o Estado virou patrão, uma completa inversão dos valores. O dinheiro tomado na marra dos pagadores de impostos, que já soma 40% do PIB, não vai para as funções básicas do governo, como prover segurança, garantir o império das leis, e se for o caso, investir na educação básica, na saúde e em infra-estrutura. O dinheiro acaba, na verdade, no bolso dos políticos corruptos, no assistencialismo usado para a compra de votos, no financiamento de grupos criminosos como o MST, curiosamente chamados de “movimentos sociais”, no sustento de ONGs corruptas ou defensoras dos interesses dos próprios governantes, no “mensalão”, na compra de dossiês contra opositores, no suborno da mídia “chapa branca”, nos sindicatos poderosos etc. Enfim, uma classe toma o poder e passa a extorquir, ainda que legalmente, outra classe. A luta de classes, portanto, existe, mas diferente do que acreditava Marx, ela não se dá entre capitalista e proletários, mas entre pagadores e consumidores de impostos. O abuso de poder dos governantes é total, e o avanço sobre o bolso e as liberdades dos indivíduos é assustador. Quem de fato gera riqueza nesse país é assaltado diariamente, mas a espoliação é legal, ocorre à luz do dia, e por aquele que deveria justamente proteger a propriedade privada.

A sorte dos governantes é que o povo brasileiro é passivo demais, ao que tudo indica. Além disso, mostrou também pouca integridade moral nas últimas eleições, estabelecendo seu preço para vender a alma ao diabo, variando apenas na magnitude entre pobres e ricos. O que assusta é que a desgraça anunciada do país é infligida pelo próprio povo. A reação dificilmente será a de indignação verdadeira, salvo as raras e honrosas exceções. Provavelmente isso tudo estará esquecido nas próximas eleições, e o político que prometer um novo privilégio leva o voto. Os deputados sabem que não estão correndo grandes riscos, pois o pacato cidadão brasileiro não irá partir para a desobediência civil nem puni-los no voto que seja. Em outros lugares do mundo, pode ser que tamanho abuso por parte dos políticos acabasse em sangue, em linchamento público. Aqui, tudo acaba em pizza. Mas os perigos para o Estado de Direito no longo prazo são claros, pois cada vez o descrédito maior no Congresso poderá levar mais e mais pessoas a considerar que a existência do próprio se faz desnecessária. Um ambiente desses é propício para golpes autoritários. Estaremos então a um passo de uma ditadura, ainda que disfarçada de “democracia participativa”. Estamos enveredando por esta rota da servidão faz algum tempo...

E o que as pessoas íntegras e mais esclarecidas podem fazer diante deste sombrio cenário? Uma das alternativas, sem dúvida, é lutar, principalmente no campo das idéias, tentando mostrar o que está acontecendo de fato, e quem é o verdadeiro inimigo do indivíduo, o lobo em pele de cordeiro. Mas é uma luta desigual, que muitas vezes desanima. Outra opção, sem dúvida adotada por muitos, é simplesmente sair do país, e deixar que os parasitas tenham cada vez menos hospedeiros para explorar. Não parece o ideal, mas é impossível condenar quem assim faz. Por fim, uma alternativa mais radical e infelizmente cada vez mais tentadora é seguir o caminho de Thoreau, e partir para a desobediência civil. Não mais compactuar com a espoliação estatal, sonegar impostos, ignorar as tantas leis injustas desse país. Não é uma visão confortante, posto que situa-se próxima demais do caos anárquico. Mas infelizmente, parece ser o que os políticos estão incentivando e incitando, com tanto desrespeito aos pagadores de impostos do país. Espero que o mal maior possa ser evitado. Tenho minhas dúvidas...


http://rodrigoconstantino.blogspot.com

RECORDES

Jayme Copstein

Festejemos, irmãos: em Cachoeira do Sul acabam de descobrir um fóssil de 228 milhões de anos o que, segundo a Zero Hora, pode mudar a história dos dinossauros na face da Terra.
Pranteemos, irmãos. O Congresso brasileiro acaba de sacramentar mais uma indecência, dobrando sua remuneração. Daqui a 228 milhões de anos, os arqueólogos ao remexerem em ossadas, dirão que jamais houve na história do mundo políticos tão imorais quanto os do Brasil, e por isso jamais mudou o destino deste país.
Festejemos irmãos. Os arqueólogos só precisaram de meia dúzia de fragmentos de ossos, para concluir que o dinossauro descoberto era um dos elos perdidos entre formas mais primitivas e formas mais evoluídas da espécie.
Pranteemos, irmãos. A absolvição de praticamente todos os mensaleiros e sanguessugas são provas demasiadas que qualquer elo que acaso houvesse entre o “politicus brasiliensis” e o mínimo de decência que se exige de qualquer ser vivo, perdeu-se irrecuperavelmente, se é que existiu algum dia.
Festejemos, irmãos. Se a importância desta descoberta em Cacheira do Sul for confirmada, o Brasil vai para o Livro dos Recordes do Ginness como detentor do fóssil mais antigo de toda a história da humanidade.
Pranteemos, irmãos. Não se precisa mais de comprovação. Os números são eloqüentes: passando ganhar a quase 30 vezes o que percebe um congressista norte-americano e mais de 30 vezes o que ganha um parlamentar inglês, em um país onde a renda média da população é 15 vezes menor do que a dos habitantes dos Estádios Unidos ou da Inglaterra, já estamos no Guinness: trata-se do Congresso mais imoral da história do planeta.

posted by Blog do Jayme - www.copstein.blogspot.com

15 Novembro, 2006

CENSURA

Qual o pior?
1)-Saber dizer o que se quer e não poder? 2)-Poder dizer o que se sabe e não querer? 3)-Querer dizer o que sabe e não poder? 4)-Poder dizer o que se quer e não saber? 5)-Saber dizer o que se pode e não querer? 6)-Querer dizer o que se pode e não saber?
================Geir Campos=====================

11 Outubro, 2006

RETRATAÇÃO

RETRATAÇÃO

Metáforas fazem parte da crônica política. Já escrevi que as oposições contrataram Sherlock Holmes para investigar a participação de José Dirceu no mensalão. Contei a passagem do genial detetive por Brasília. Nem o ex-chefe da Casa Civil sentiu-se agravado, muito menos os descendentes de Connan Doyle preocuparam-se com o uso indevido do personagem.

Com freqüência, apelando para a ficção, costumo trazer à realidade nacional mortos ilustres como Getúlio Vargas, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, que comentam e até participam de lances conturbados da política. Para não falar na intromissão de Napoleão, Maquiavel, Alexandre “o Grande”, Pedro Álvares Cabral e personagens da História instalados pela minha parca imaginação nas avenidas e palácios da capital federal. Nenhum protesto, até agora.

Em 29 de agosto, enveredei pela mesma trilha, diante da desclassificação de Plutão de planeta para asteróide. Por conta da proliferação de ONGs fajutas mamando nas tetas do governo, uma delas, que a imprensa divulgara ser dirigida por um ex-líder sindicalista, imaginei outra, a "Sociedade dos Amigos de Plutão".

Ao descrever suas atividades, obviamente fictícias, não resisti à tentação de apresentá-la como da mesma forma presidida por líder sindical, suposto amigo do presidente, claro que inexistente, por isso jamais fulanizado. A ONG teria sede na Esplanada dos Ministérios e seus diretores empreenderiam farta e luxuosa viagem ao redor do mundo, pregando a imprescindível reabilitação de Plutão.

ESCLARECENDO DÚVIDAS

Simples metáfora, mas, reconheço, sem a caracterização explícita. Como no período eleitoral que agora se encerra, andam exasperadas as emoções, houve quem supusesse naquela crônica uma agressão ao PT, às lideranças sindicais, ao presidente e à Esplanada dos Ministérios. Penitencio-me, para que não haja dúvidas. A ONG "Sociedade dos Amigos de Plutão" não existe. Pelo menos, ainda não foi criada.

Para evitar a repetição de um problema que já relato, lembro a Lei de Imprensa, dispondo de uma figura denominada retratação. Quando, no mesmo espaço, na mesma página, um jornalista se retrata, reconhecendo o erro, cessa ou nem se inicia a respectiva ação penal. Por que esse cuidado? Porque, não faz um mês, o comitê de campanha de Geraldo Alckmin denunciou-me à Justiça Eleitoral como tendo ofendido o candidato, ao chamar de burra e ofensiva à inteligência nacional a estratégia de ficar agredindo Lula em vez de anunciar seus programas.

No TSE, em nome da liberdade de imprensa, o ministro-relator recomendou o arquivamento da ação, acompanhado em seguida pelo plenário. Seria no mínimo inusitado, na mesma eleição, ser processado pelos dois lados, mas faz tempo que de quatro em quatro anos a história se repete. Estará a virtude no meio?...
Próximo texto:
Análise Política Última Hora

Índice da edição - Ed. 511
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Esta é a íntegra da RETRATAÇÃO do jornalista Carlos Chagas. Como se não bastasse os que nada viram, ainda temos os que nos mostram a nossa cara de palhaços. Estão brincando demasiadamente com a opinião pública em nosso País. Verdade que uma população acovardada, cagona e desprovida de valores maiores, porque se os tivesse já teria tomado atitude drástica em relação a sucessão de escândalos (comprovados), merece que se brinque à tripa forra com a sua apatia, que se escarneça de alguém que beija quem lhe fustiga, no mais legítimo bate-que-eu-gosto. Chega de palhaçadas. Assim como é verdadeiro que necessitamos urgentemente de saneamento nas áreas que lidam com dinheiros públicos, também é verdade que se coloca a pique a credibilidade da boa imprensa, informativa ou não.
Os colegas do Sr. Carlos Chagas, que dizem?
Gostaram? - Isso engrandeceu a profissão nobre e necessária do bom jornalismo? À quem aproveita atitudes como a deste cidadão que, apesar da ressalva, coloca sérias dúvidas sobre as ONG’s que trabalham e lutam com imensas dificuldades e aonde os “saques” são perpetrados contra os bolsos dos seus dirigentes e associados que tem a ousadia de tentar suprir o Estado? E este, onde está? É mais do que claro que a existência das ONG’s deve-se à desfaçatez dos governos que não cumprem com as suas obrigações, assumidas ao cobrar taxas e impostos COMO JAMAIS SE VIU NA HISTÓRIA DESTE PAÍS, para gaudio de alguns. Estado que se omite, que nada sabe e nada vê, mas que termina, por vias muito – ou nem tanto – tortuosas, se locupletando senão direta pelo menos indiretamente, colhendo frutos através de “partidos”, “sindicatos” “et caterva”. E quando deve não cumpre seus compromissos nem mesmo “sob vara”. Até o judiciário parece ter se submetido a humilhação de ter seus mandados rasgados e suas ordens descumpridas. Para não ter de ir muito longe, falemos de precatórias...
Custa-me crer que ninguém reaja – temo pelo que poderá estar nos esperando. Triste país onde não se escolhe o melhor, mas o menos pior, por voto obrigatório, onde a proporcionalidade elege indivíduos que você não sabe quem é e, se soubesse, jamais nele votaria – será? Quando um cidadão ex-presidente do Senado e atual “preeminente figura da República” se elege reiteradamente calcado em um estelionato eleitoral, por um Estado em que não reside e quem sabe até não conheça. Mas, segundo declara a Justiça Eleitoral lá tem domicílio. Todos vêem, todos sabem e nada fazem... Quando eu era menino muitas vezes tive a minha frente a figura dos três macaquinhos. E este cidadão “se acha” grande reserva moral da Pátria. Elejam quem quiserem, com ou sem escrúpulos, nem mesmo as moscas trocam...e, quando trocam, logo são reconduzidas pelo voto.
Faz-se urgente e inadiável, sob pena de coisas bem piores, que se reveja o nosso sistema eleitoral.
Voto obrigatório só serve ao cabresto, à vilania, à exploração da miséria que os próprios governos geram e alimentam com “cestas” para lhes servirem de pasto a cada quatro anos.
Massa de manobra a custa de um pedaço de terra que logo ali será vendido, porque ou nada sabem da profissão, ou não tem o devido respaldo creditício e técnico ou ainda cujo inconfessável objetivo é a formação de um braço armado (pelo desarmamento do cidadão nos seus mais comezinhos direitos). Gosto imensamente de George Orwell, especialmente quando demonstra em “A Revolução dos Bichos” que todos são iguais, mas que alguns são, definitivamente, mais iguais.
Trabalhamos para suportar pinóquios a nos entulharem com suas bravatas e burramente, vermos, com a mais legítima cara-de-babaca e pagar em impostos e publicidades este festival de sandices que nos empurram pelo rádio e televisão nos subtraindo o direito à diversão e a boa informação. E isto tudo é dito democrático.
*
O povo brasileiro é bom demais para merecer coisas assim.
*
Preocupa-me, entretanto, o silêncio, a apatia – o povo tocado como gado para o abatedouro, ao som do berrante. Pode ser prenúncio de grandes tempestades, como sói acontecer... Lembro-me, freqüentemente, de Shakespeare em Júlio César – mas será demais para algumas antenas...?. Pelo sim, pelo não, recomendo a atenta leitura – aproveitem o horário eleitoral!
*


O gato subiu no telhado.



Sergio Augusto Sempé – 11.10.2006

08 Outubro, 2006

PREVISÔES

Previsões.
Juremir Machado da Silva.
Agora eu não duvido mais: o Rio Grande do Sul é realmente
o estado mais politizado do país. Além de ser o
mais culto, o mais sofisticado e o menos conservador. A
prova disso é a eleição de Paulo Borges como o mais votado
para a Assembléia Legislativa. Não poderia ser mais
adequado. Na sua biografia, há um verdadeiro feito político:
a apresentação da previsão do tempo num programa
de televisão. Trata-se de um revolucionário do PFL. Nem o
PCO chega a tanto. Borges mudou a forma de apresentar
o tempo. Inventou o besteirol meteorológico. Ninguém tem
mais credibilidade do que ele. O sujeito diz que vai chover
e chove. Isso mostra também a sabedoria e o alto de grau
de conscientização do eleitor gaúcho. Eu me orgulho cada
vez mais do Rio Grande. Como ser contra alguém que
anuncia a chegada da primavera? Como não recompensar
alguém cuja trajetória política se anuncia como um céu
de brigadeiro?
Eu sou louco por surpresas eleitorais e por erros de
pesquisa. Adoro quando as previsões estatísticas não funcionam.
Isso me faz crer que o Internacional ainda será
campeão brasileiro neste ano. Mas melhor ainda é ver todas
as previsões moralizadoras da mídia escorrerem pelo
ralo. Os comentaristas nunca acertam. Deviam se limitar
a falar do tempo. Se houve renovação na política, foi para
pior. Maluf, Clodovil e Collor são as principais novidades
no Congresso Nacional. Agora, vai! Enéas confirmou sua
presença essencial. Querem prova maior de que o eleitor
sabe votar? Seria justo deixar Paulo Maluf fora da época
mais corrupta da política brasileira? Claro que não. A Nação
perderia um grande especialista no assunto.
Os bandalhos do PT também tiveram contrato renovado,
entre eles João Paulo, José Genoino e Antonio Palocci.
O eleitor brasileiro não tem preconceitos ideológicos
nem delírios moralistas, exceto os de classe média. Nosso
lema é: se há corrupção, somos a favor. É tudo uma questão
de preço. Finalmente, o nosso eleitor aprendeu a lição
e passou a votar como fazem os empresários esclarecidos:
pragmaticamente. Por interesse. Sem cair em ilusões,
ideologias e promessas utópicas. Depois dessa eleição, temos
certeza de que não somos inferiores a ninguém. O
eleitor é o perfeito idiota universal. Essa é a sua suprema
forma de inteligência. É como o tempo: não tem erro.


juremir@correiodopovo.com.br
Publicado no Correio do Povo, Pg4 04.10.2006

07 Outubro, 2006

A VERDADE ESTÁ NA CARA...

A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE:
UM PSICOPATA LEVA À PSICOSE COLETIVA.
( ARNALDO JABOR )


O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, "explicáveis" demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe.Isto é uma situação inédita na História brasileira. Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das
oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibição da verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada.

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos. Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes , as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz. Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nadegas.
A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula,
amparado em sua imagem de "povo", consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações "falsas", sua condição de cúmplice e comandante em "vítima".E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso? Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os
crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que
dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.

Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito....
Está havendo uma desmoralização do pensamento. Deprimo-me: "Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?". A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua.
Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua
portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica
ridículo diante da ditadura do lulo-petismo .. A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!
Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações. No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística,
grotesca mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do
país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política. Depois surgiram
dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o
parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com
sol a pino. E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de "gafe".
Lulo-petistas clamam: "Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT?
Como ousaram ser honestos?".Sempre que a verdade eclode, reagem. Quando um juiz condena rápido, é chamado de "exibicionista". Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de"finesse" do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para coonestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma novi-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte. Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o populismo e o simplismo. Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em "a favor" do povo e "contra", recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o "sim" e o "não", teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição mundo x Brasil, nacional x internacional. A esquematização dos conceitos, o empobrecimento da linguagem visa à formação de um novo ethos político no país, que favoreça o voluntarismo e legitime o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois. Assim como vivemos(por sorte...) há três anos sem governo algum, apenas vogando ao vento da bonança financeira mundial, só espero que a consolidação da economia brasileira resista ao cerco político-ideológico de dogmas boçais e impeça a desconstrução antidemocrática. As coisas são mais democráticas que os homens. Alguns otimistas dizem: "Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!". Não creio. Vamos ficar viciados na mentira corrente, vamos falar por antônimos.
Ficaremos mais cínicos, mais egoístas, mais burros. O Lula reeleito será a prova de que os delitos compensaram. A mentira será verdade, e a novi-língua estará consagrada. É amigos. Este texto deve se transformar na maior corrente que a internet já viu. Talvez assim, possamos nós, que não somos burros não, mais uma vez salvar o Brasil. Passe para quantas pessoas você puder. Se você é brasileiro e gosta de seu País, faça algo por ele. Essa é a hora.

20 Setembro, 2006

NECESSIDADE DE REFORMA

Vivemos tempos tormentosos.
Há guerras em várias partes do mundo.
Em nosso país, o cenário político e social é desolador.
Entre denúncias de corrupção e de venalidade, resta pouca fé nos homens públicos.A impunidade instiga novos desmandos.
O povo se mira nas figuras eminentes e procura encontrar no comportamento destas, justificativa para seus próprios equívocos.
Levar vantagem parece um objetivo que se generaliza pelo corpo social. A idéia do sucesso como resultado de um esforço continuado e metódico torna-se pouco sedutora.
O famoso “jeitinho brasileiro” não mais significa criatividade, mas esperteza e falta de caráter.
Muitos se indagam: Haverá futuro para uma sociedade assim constituída? A história nos fornece inúmeros exemplos de civilizações que se corromperam. Em Roma, no período do Império, os costumes e os valores degeneraram. O filósofo e jurista Marco Túlio Cícero era profundamente angustiado com esse estado de coisas.
Deixou inúmeros escritos que denotam sua preocupação com a corrupção que
invadia a vida pública romana.
Ele se preocupava com medidas populistas freqüentemente adotadas pelos governantes.
Tais medidas atendiam a caprichos da multidão, mas sem educá-la ou destiná-la a trabalho útil.
Quem trabalhava era fortemente tributado, a fim de que largos benefícios fossem concedidos pelo estado.
Era, já naqueles tempos, a prática do assistencialismo, às custas dos contribuintes.
Mas o que mais indignava Cícero era a corrupção e a troca de favores envolvendo o dinheiro público. Ao refletir sobre os vínculos fraternos, ele afirmou: “A primeira lei da amizade é não pedir nem conceder nada de vergonhoso”.
Disse ser uma desculpa indigna, em qualquer falta, admitir que se agiu em favor de um amigo.
Bem se percebe a semelhança com a situação brasileira atual.
Ainda vivemos sob o regime do compadrio.
O dinheiro público é rateado entre alguns, como se fosse particular.
A humanidade evoluiu muito sob o prisma intelectual e científico, nesses dois milênios.
Mas, embora alguns avanços, permanece titubeante no que tange à moralidade.
Em conseqüência, o mundo segue conturbado e carente de paz.
Na verdade, todos sofremos em razão da falta de ética.
A inadimplência faz com que os preços de produtos e serviços sejam maiores.
O desvio do dinheiro público dificulta a construção de creches, escolas e hospitais.
Se queremos viver num mundo melhor, devemos nos empenhar em promover uma reforma ética.
E toda mudança começa no indivíduo.
Para que a sociedade melhore, cada um deve esforçar-se em se aprimorar.
É imperativa a adoção de novos hábitos.
Chega de procurar levar vantagem, de fugir dos próprios deveres.
Basta de mentir, fraudar, sonegar e trair.
O patrimônio público é sagrado e todos são responsáveis por ele.
O dinheiro público não existe para ser apropriado por alguns, mas para atender demandas relevantes da coletividade.
Impõe-se a severa fiscalização de sua utilização, como o cumprimento de um
dever.
Quando formarmos uma sociedade consciente de seus deveres, apenas por isso
já desfrutaremos de grande tranqüilidade.
Pensemos nisso.

DP 29/08/2006.
Equipe de Redação do Momento Espírita.

18 Setembro, 2006

QUO USQUE TANDEM ABUTERE, CATILINA, PATIENTIA NOSTRA?

Já não podes viver mais tempo conosco.

Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes fatos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. À morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
Pois não é verdade que uma personagem tão notável como era Públio Cipião, pontífice máximo, mandou, como simples particular, matar Tibério Graco, que levemente perturbara a constituição do Estado? E Catilina, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, os cônsules, de o suportar toda a vida? E já não falo naqueles casos de outras eras, como o fato de Gaio Servílio Aala ter abatido, por suas próprias mãos, Espúrio Mélio e, que alimentava ideias revolucionárias. Havia, havia outrora nesta República, uma tal disciplina moral que os homens de coragem puniam com os mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos. Temos um decreto do Senado contra ti, Catilina, um decreto rigoroso e grave; não é a decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui presente que falta à República; nós, digo-o publicamente, nós, os cônsules, é que faltamos.
.....................................................................................

Há, todavia, nesta Ordem de senadores, alguns que, ou não vêem aquilo que nos ameaça, ou fingem ignorar aquilo que vêem; estes, pela moleza das suas decisões, alimentaram a esperança de Catilina e deram força à conjuração nascente, não acreditando nela; e, por sua influência, muitos; não apenas os perversos, mas ainda os mal informados, diriam, se eu tivesse punido Catilina, que o tinha feito com crueldade e tirania.

07 Setembro, 2006

PÁTRIA MINHA

Pátria Minha

Vinicius de Moraes


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."


Texto extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.

03 Setembro, 2006

SABEDORIA

SABEDORIA

Conta-se que num país longínquo, há muitos séculos, um rei se sentiu intrigado com algumas questões. Desejando ter resposta para elas, resolveu estabelecer um concurso do qual todas as pessoas do reino pudessem participar.
O prêmio seria uma enorme quantia em ouro, pedras preciosas, além de títulos de nobreza. Seria premiado com tudo isto quem conseguisse responder a três questões:

Qual é o lugar mais importante do mundo? - Qual é a tarefa mais importante do
mundo? - Quem é o homem mais importante do mundo?

Sábios e ignorantes, ricos e pobres, crianças, jovens e adultos se apresentaram, tentando responder as três perguntas. Para desconsolo do rei, nenhum deles deu uma resposta que o satisfizesse.
Em todo o território, apenas um único homem não se apresentou para tentar responder
os questionamentos. Era alguém considerado sábio, mas a quem não importavam as fortunas nem as honrarias da terra.
O rei convocou esse homem para vir à sua presença e tentar responder suas indagações. E o velho sábio respondeu a todas:

- O lugar mais importante do mundo é aquele onde você está. O lugar onde você mora, vive, cresce, trabalha e atua é o mais importante do mundo. É ali que você deve ser útil, prestativo e amigo, porque este é o seu lugar.
- A tarefa mais importante do mundo não é aquela que você desejaria executar, mas aquela que você deve fazer.
- Por isso, pode ser que o seu trabalho não seja o mais agradável e bem remunerado do mundo, mas é aquele que lhe permite o próprio sustento e da sua família. É aquele que lhe permite desenvolver as potencialidades que existem dentro de você. É aquele que lhe permite exercitar a paciência, a
compreensão, a fraternidade.
- Se você não tem o que ama, importante que ame o que tem. A mínima tarefa é importante. Se você falhar, se se omitir, ninguém a executará em seu lugar, exatamente da forma e da maneira que você o faria.
E, finalmente, o homem mais importante do mundo é aquele que precisa de você, porque é ele que lhe possibilita a mais bela das virtudes: a caridade.
- A caridade é uma escada de luz. E o auxílio fraternal é oportunidade iluminativa. É a mais alta conquista que o homem poderá desejar.

O rei, ouvindo as respostas tão ponderadas e bem fundamentadas, aplaudiu,
agradecido. Para sua própria felicidade, descobrira um sentido para a sua vida, uma
razão de ser para os seus últimos anos sobre a Terra.

***

Muitas vezes pensamos em como seria bom se tivéssemos nascido em um país com menos inflação, com menos miséria, sem taxas tão altas de desemprego, gozando de melhores oportunidades.
Outras vezes nos queixamos do trabalho que executamos todos os dias, das tarefas que temos, por acha-las muito ínfimas, sem importância. Desejamos que determinadas pessoas, importantes, de evidência social ou
financeira pudessem estar ao nosso lado para nos abrir caminhos.
Contudo, tenhamos certeza: estamos no lugar certo, na época correta, com as
melhores oportunidades, com as pessoas que necessitamos à nossa evolução.

Equipe de Redação do Momento Espírita, baseado em texto intitulado Sabedoria, inserido no Mensário Espírita “O sol nascente”(set 2001) no.390, ano XXXII ( sem menção a autor).

RETORNO AO BRASIL

Juremir Machado da Silva

Retorno ao Brasil

Andei distante do noticiário sobre o Brasil. Estive muito ocupado acompanhando o Inter na epopéia da conquista da Libertadores da América e relendo os contos de Guy de Maupassant. Mas, agora, acordei. Estou de volta, como diria Umberto Eco, à irrealidade cotidiana. Meu retorno foi assim. De repente, eu abri os olhos e fiquei sabendo que a Justiça havia mandado soltar o famoso Papagaio (o semi-aberto para esse tipo de bandido tem valor de alvará de soltura) e mandado prender (para que ele se explicasse) um menino de cinco anos que jogara uma pedra num carro quando tinha três anos de idade. Gostei de saber disso.

É preciso cortar o mal pela raiz, matar a serpente na casca, torcer o pepino em pequeno. Nossa justiça, pelo jeito, resolveu agir preventivamente. Afinal, um perigosíssimo e indomável garotinho desses, se não for tolhido nos primeiros golpes, continuará atentando contra o patrimônio alheio ao longo da vida. Sem dúvida alguma, foi uma medida justa, sábia e razoável. Já importamos as cotas dos Estados Unidos, trazendo junto uma forma de racismo que não tínhamos. Agora, copiamos os processos judiciais contra bandidos infantis. É um avanço: da fraude à fralda. Estamos cada vez mais desenvolvidos. Quanto à fuga do Papagaio, que podemos fazer? A lei está aí para ser cumprida. Ao menos, isso é o que se diz sempre que algo dá errado.

Adoro a unidade de procedimentos da Justiça brasileira. Um juiz interpreta a lei num sentido, o outro interpreta no sentido oposto. Somos os campões da hermenêutica jurídica. Nossa Justiça, claro, não faz diferença entre jovens e velhos ou ricos e pobres. Disso, obviamente, ninguém duvida. Em São Paulo, por mera coincidência, um João, negro, está pagando pelo crime de outro João, branco. Apesar desse insignificante detalhe de pigmentação de pele, o negro, que roubou R$ 10,00, continua em cana, pois é homônimo do outro. A justiça já sabe que errou. Mas o João Negro ainda não foi solto.

A pressa é inimiga da justiça. Enquanto isso, Pimenta Neves, o jornalista branco que matou a namorada a tiros, pelas costas, julgado e condenado, continua em liberdade. Lei é lei. Nada a ver com privilégios ou com interpretações maleáveis. O choque que, realmente, me devolveu à banalidade da existência, contudo, foi outro. Algo mais filosófico e transcendental. Uma espécie de estranhamento antropológico radical e inexorável. Saí de mim. Reabri os olhos e estava passando o horário eleitoral gratuito na televisão. Senti uma forte emoção cívica e patriótica. Bravamente, olhei até o fim. Sou um verdadeiro cidadão. Mereço uma medalha de honra ao mérito. Lembrei-me dos tempos em que a ditadura nos obrigava a ter aulas de Moral e Cívica. Um pouco mais e eu cantava o hino nacional, com voz de Fafá de Belém, em posição de sentido sob o cobertor.

Os candidatos prometem tudo e não explicam como fazer coisa alguma. O tempo é curto. É uma questão de confiança. Na medida em que os políticos nunca nos decepcionaram, salvo por um mensalão aqui, uma sanguessuga ali, podemos apostar neles de olhos fechados. Até aí nenhuma novidade. Fiquei tão impactado pelo horário eleitoral que agora não perco nenhuma edição. Quando saio, deixo gravando. É fantástico! Como é que eles conseguem encher todo aquele espaço sem dizer nada? Ouvi todos os candidatos à Presidência da República e ainda não conheço uma só proposta concreta, exeqüível e detalhada capaz de alterar algo na realidade brasileira dos próximos anos. Rapidamente, porém, descobri uma qualidade no discurso de qualquer candidato. Uma qualidade que os isenta de muitos defeitos do passado e os habilita a nos prometer um belo futuro mesmo que não consigam mostrar como chegar lá.

Essa qualidade dos candidatos no horário eleitoral gratuito da televisão é cristalina e evidente: qualquer um deles fazendo promessas vazias é melhor do que um monólogo de Regina Duarte em -Páginas da vida- refletindo sobre a existência. Na sociedade -midíocre-, discurso de candidato também deve dar audiência e ter valor de entretenimento de massa. Se continuar assim, o horário eleitoral ainda vai superar -Zorra total- em senso de humor popular. Enfim, resta uma pergunta inquietante: se os candidatos são todos nulos por que os votos também não poderiam ser?

E-mail: juremir@correiodopovo.com.br
Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil

27 Agosto, 2006

SÍNDROME DA BRANCA DE NEVE

21.08, 12h00
por Percival Puggina, escritor

Apesar de sua imensa significação no destino dos povos, a questão dos consensos permanece como tema restrito ao debate acadêmico. Não deveria ser assim porque o assunto é muito importante. Consensos corretos sobre coisas relevantes produzem resultados positivos e consensos errados determinam inevitáveis desastres. Sob o ponto de vista político, não hesito em afirmar que o mais danoso de nossos consensos se expressa na idéia de que as instituições nacionais não funcionam. Bem ao contrário, elas funcionam. E grande parte dos males que observamos decorre de seu funcionamento. Cito alguns dos mais evidentes: a transformação da administração pública em moeda de troca dos acordos, a hipertrofia do Estado, a politização do judiciário e a judiciarização da política, a irresponsabilização dos parlamentos, a impunidade geral, os muitos instrumentos de corrupção cristalizados nas práticas políticas, e o estímulo institucional à representação política dos grupos de interesse.

O lamentável consenso segundo o qual as instituições que temos poderiam operar dando origem a resultados diferentes e melhores, imobiliza a sociedade em relação à necessária reforma institucional e nos leva a esperar que um dia, com outros figurantes, as coisas possam andar melhor. Com isso, fulanizamos o debate político, desprezamos a imperiosa reflexão sobre as relações de causa e efeito que determinam os fatos da vida do país, e empobrecemos partidária, política, cultural, social e economicamente.

Se instituições democráticas devem ser como as que adotamos, e que para resolver nossos problemas basta fazê-las funcionar, cabe indagar: e como ficam a Alemanha, Itália, França, Holanda, Bélgica, Noruega, Suécia, Dinamarca, Espanha, Portugal, Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda, Austrália, Canadá, Japão? Não são democracias? Não adotam outros padrões e funcionam melhor do que nós? Pois é. Mas persistimos na convicção de que democracia de qualidade é a que se obtém com o bem sucedido modelo que utilizamos no Brasil, na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia, no Peru, no Equador e tutti quanti.

À semelhança de todos os nossos vizinhos, tornamo-nos portadores da Síndrome da Branca de Neve. Alimentamo-nos com as maçãs envenenadas que frutificam do péssimo modelo que adotamos. Entramos em letargia sobre as necessárias mudanças. E ficamos esperando o príncipe que nos conduzirá, na garupa de seu cavalo branco, para o reino encantado da boa governança. Enquanto não aparece esse nobre cavalheiro que estamos aguardando há mais de um século, nos empanturramos de análise marxista. Vamos lendo Frei Betto e Eduardo Galeano e pondo a culpa nos perversos exploradores da nossa alva e dormente inocência: o capitalismo, a globalização, o latifúndio, o FMI, o Consenso de Washington, o neoliberalismo, o Bush, o Império (para falar como o adoecido Fidel Castro) e por aí afora. A cada ano esse indigente discurso escolhe a Rainha Má da vez.

www.diegocasagrande.com.br

ESTADO LARÁPIO

ESTADO LARÁPIO
18.08, 18h06
por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga

Será inútil dizer que sempre houve corrupção. Será cínico declarar que se sempre foi assim todos devem continuar a ter caixa dois, roubar, delinqüir, corromper, aumentar riquezas através da corrupção como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Ocorre que, neste governo do partido que havia prometido durante anos que viria para mudar, chegamos ao auge do amoralismo. A sensação é a de que banditismo foi institucionalizado, alcançando os Poderes constituídos em suas instâncias mais altas.

Em recente entrevista à TV Globo, o presidente da República, num daqueles atos falhos que traem o subconsciente afirmou: “em meu governo combati a ética”. De fato Sua Excelência pode se gabar, começando com o indefectível “nunca em nenhum governo”, e acrescentar: roubou-se tanto, mentiu-se tanto, enganou-se tanto.

O impressionante desses quase quatro anos de nossa história é que a corrupção abrigada no próprio Estado nunca foi tão deslavada. Sem o mínimo pudor a roubalheira é escancarada nos Três Poderes, mina instituições antes consideradas impolutas, coopta entidades que não só se calam como participam do desregramento generalizado.

Não há mais uma clara distinção entre bandidos e autoridades e isso foi esfregado na cara dos deputados que argüiam o mega facínora Marcola. Ele debochou de mensaleiros e sanguessugas com o escárnio de chefão poderoso que instituiu um Estado dentro do Estado frouxo, corrupto, incompetente, quando não conivente com os companheiros do crime que agora apelam para jargões de esquerda para justificar seus atos. Afinal, nessas plagas latino-americanas quem é de esquerda é do bem. Isto foi inculcado durante anos nas mentes dos estudantes universitários, nos meios eclesiásticos, artísticos, intelectuais, entre profissionais liberais. Assim, se o PCC é de esquerda, logo é do bem.

Entretanto, depois de fazer curvar a mais poderosa rede de televisão do país que exibiu um vídeo com indivíduos encapuzados se queixando das prisões, exigência para que o jornalista da Globo seqüestrado fosse solto, não é de se duvidar que em breve o PCC consiga nosso Aldo Moro, seqüestrado em 1978 pelas Brigadas Vermelhas e executado quando o governo italiano se recusou a soltar brigadistas.

Em Terra de Macunaíma, porém, o provável é que evolua a obediência aos bandidos da parte das autoridades. Num cenário possível presídios de segurança máxima serão abolidos. Uma lei, quem sabe, decretará o fim dos crimes hediondos. Conceder-se-á hábeas corpus aos criminosos de alta periculosidade. A eles, e apenas a eles serão oferecidos direitos humanos, pois, coitados, são pessoas sofridas. E se o governo de Luiz Inácio se recusou a declarar as Farc como terroristas, conforme pedido do presidente colombiano, por que nosso PCC seria considerado como tal? Enfim, se confirmará em grande estilo que no Brasil o crime compensa.

De outro lado continuarão a dançar a dança da impunidade mensaleiros, sanguessugas, larápios de recursos públicos, golpistas escolados nas manhas do suborno, especialistas na arte de fraudar licitações, malandros adestrados em superfaturamento, sonegadores e formadores de quadrilhas, corruptos e corruptores a dobrar fortunas resguardadas em paraísos fiscais. Reeleitos muitos deles continuarão na doce vida que o poder concede a quem o alcança e nele se mantém. Leis e impostos apenas para eleitores, muitos dos quais dizem nas pesquisas: “eu faria a mesma coisa se chegasse lá”.

Diante desse estado de deterioração moral a que se chegou vale perguntar: que povo é esse que aceita docilmente sustentar com pesados impostos os luxos da corte? Que encara como natural a corrupção das mais altas autoridades? Que é presa fácil da propaganda enganosa?

Entendemos tudo sobre futebol. Temos na ponta da língua as escalações de todas as Copas do Mundo. Sabemos de cor e salteado os gols que nelas foram feitos pelo Brasil. Mas não nos lembramos em qual vereador ou deputado votamos. Elegemos qualquer candidato que sabe contar piadas. Achamos chatos os candidatos sérios, inteligentes preparados, experientes, dignos porque estes não têm a nossa cara. O reino Brasil apodreceu e nem nos damos conta ou isso não nos importa. Afinal, como diz o presidente da República, todo mundo tem caixa dois e se todo mundo tem podemos ter também, Depois é só dizer: não sei, não vi, não estou nem aí.

Quando o mau exemplo vem de cima, quando não há mais Poderes, instituições e entidades de classe com os quais se contar instala-se a anomia, intensifica-se o individualismo, aumenta a impunidade e com ela a violência. Contente o povo samba e canta: “me engana que eu gosto”.

Cada vez mais me convenço de que Nelson Rodrigues tinha razão quando afirmou: “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”.

ME ENGANA. EU GOSTO...

CANDIDATA “ME-ENGANA-QUE-EU-GOSTO”

por Christina Fontenelle
Ela vem chegando empunhando o estandarte da coerência, da ética e da honestidade, assim como Lula, que a muitos enganou antes de chegar à Presidência. Já vimos esse filme: acusar os outros daquilo que se pratica, justamente para poder continuar praticando sem que ninguém desconfie. A imagem é de guerreira implacável contra os inimigos corruptos e de mãe amorosa com os colegas de partido e com as pessoas do povo. Calça Jeans, camiseta branca, cabelos presos, sorriso nos lábios e uma braçada de flores na mão são as peças do uniforme da candidata Heloísa Helena. Ela não precisa de espaço no horário eleitoral gratuito e nem de desperdiçar vultosas quantias com propaganda – a mídia faz um trabalho de marketing promocional “voluntário” dos mais amplos e solidários com a senadora-candidata. A moça tem cobertura de gente grande mesmo. Fora isso, há, por todos os lados, gente graúda e famosa dizendo estar caída de amores pela guerreira de ética.

Em recente entrevista ao Jornal Nacional, na Rede Globo de Televisão, ao ser perguntada por Fátima Bernardes se não seria incoerente apresentar um programa de governo que não pretendia cumprir, Heloísa Helena, respondeu que o objetivo estratégico de um partido é algo que se pensa implementar em 30 anos, 40 anos, ressaltando que talvez quem não fosse militante de partido não entendesse muito bem isso. Eu concordo com a senadora: quem não milita em um partido com as origens do dela não entende mesmo que mentir seja necessário para chegar ao poder; ou seja, como quase ninguém lê programa de partido, fica lá o documento que poderá legitimar futuras ações, mas, da boca para fora, pode-se dizer o que quer que mande a conveniência.

Respondendo à mesma pergunta, a senadora ainda disse que é uma socialista por convicção e que teria aprendido a sê-lo na Bíblia, antes de ler os clássicos da história socialista: “Acho que nada de mais belo existe, a mais bela declaração de amor à humanidade de cada um conforme suas possibilidades e para cada um conforme sua necessidade”. Heloísa Helena já repetiu essa frase, como se da Bíblia fosse, por diversas vezes. É bom que se esclareça que o princípio é bíblico, mas a frase não. Outra coisa: é um princípio que é usado pela Igreja para que se atribua a ela o papel de intermediária no recolhimento e na redistribuição das riquezas – exatamente o mesmo que rege o comunismo, onde se substitui, no caso, a figura da Igreja pela do Estado. Portanto, de bíblico pode até ter um pouco o pensamento da senadora-candidata, mas de cristianismo não (1).

Isso para não falar do fato de Heloísa Helena ter sido expulsa do PT justamente por cobrar do Governo Lula atitudes coerentes com o que estava estabelecido no programa de governo do PT. Hoje, a senadora e candidata à presidência regozija-se da expulsão, com ares de quem já estivesse enxergando os escândalos de corrupção que estavam para estourar com as confissões do deputado Roberto Jefferson sobre o mensalão e outras coisas mais. Na verdade, a senadora foi expulsa porque agia como quem quisesse a “revolução socialista”, segundo os princípios e o próprio programa de governo do partido: "Dediquei toda a minha vida à construção do PT, que agora mudou de lado ao chegar ao governo". Mas, há algo de muito esquisito nesse comportamento revolucionário radical da senadora, assim, pouco antes da crise do mensalão, já que, desde que o PT começou a ocupar as primeiras prefeituras, é sabido que o partido aceitava dinheiro de bancos, de empresas privadas, de multinacionais, entre outras coisinhas bem ilícitas sobre as quais muitos de nós já sabemos faz tempo! Entretanto, HH, Luciana Genro, Babá e outros sempre participaram dos processos eleitorais, apoiando Lula, concorrendo pelo PT e, inclusive, sendo eleitos pelo partido.

Eu costumo desconfiar de fenômenos “casuais” que começam a ter uma função “inesperadamente” bastante útil em qualquer situação e principalmente se isso acontece no mundo da política. E não precisa ser muito velho para isso não – basta, por exemplo, que se tenha presenciado a ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Alguém, por exemplo também, se lembra do fato que acabou redundando na eliminação de Roseana Sarney da corrida presidencial que resultou na vitória a Lula, em 2002? Uma investigação mal feita e abafada acabou culpando justamente aquele que foi prejudicado no processo eleitoral, o candidato José Serra. Só há um comentário a fazer: nos cursos mais elementares de técnicas de investigação, a primeira coisa que se aprende é prestar atenção ao que responda a duas perguntas básicas – 1) A quem interessa? e 2) Quem acabou se beneficiando?

Voltando ao caso de Heloísa Helena, não podemos negar que seu desligamento do PT acabou por resultar na preservação dos princípios revolucionários que, afinal, fazem parte do PT e estão plenamente estabelecidos no Foro de São Paulo. Uma segunda coisa que não se pode negar é que, assim como era Roseana em 2002, uma mulher “ética e guerreira” representa uma tentadora opção eleitoral diante do quadro de caos político em que se encontra propositalmente o país. Outra coisa que não se pode negar é que a candidata do PSOL acabou representando uma alternativa de voto aos eleitores que se decepcionaram com Lula, de modo que seus votos não migrassem para Alckmin, que, aliás, também perde votos para HH, pelo fato de não apresentar as características de guerreiro que a senadora tanto faz questão de realçar na sua campanha e com a qual os eleitores tanto se identificam.

A seqüência de fatos e de conseqüências é tão extraordinariamente harmoniosa que causa estranheza. Parece até que o PT já sabia que os escândalos do mensalão estavam para estourar, com as denúncias de Roberto Jefferson, e que acabou providenciando o desligamento da parte do partido que deveria ser conservada como pura e como futura opção de voto e de continuidade dos ideais revolucionários. A pergunta é: quem se beneficiou afinal com a expulsão de Heloísa H. do PT? No mínimo a própria HH, o socialismo revolucionário e o Foro de São Paulo – o mesmo que ajudou Lula a chegar onde chegou.

O PSOL foi fundado algum tempo depois que a senadora Heloisa Helena e três deputados - Luciana Genro, João "Babá" Batista Araújo e João Fontes – foram expulsos do PT (2). Os argumentos formais para a expulsão foram os votos desses legisladores contra a reforma do sistema previdenciário exigida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e promovida pela administração Lula. Mas não foi só por isso. Heloisa Helena foi acusada de votar 19 vezes contra medidas apoiadas pelo governo no curso de um ano. Ela e outros membros da ala radical do PT vinham entrando em choque com a liderança partidária desde a campanha presidencial de 2002, quando se opuseram à escolha de José Alencar para vice-presidente - grande empresário do ramo têxtil e dirigente do PL e de uma igreja evangélica.

O site do PSOL (http://www.psol.org.br/) mostra o programa do partido, oferece links para os mais diversos movimentos revolucionários. Vale a pena dar uma olhada para que se tenha a medida exata do que está por trás da candidata “mãe-de-todos”, Heloísa Helena. Co-fundador do P-SOL, o companheiro de lutas de HH, Achille Lollo, escreve artigo sobre os fundamentos do partido (http://www.psolsp.org/?id=548). Não há, entretanto, menção a quem seja Achille Lollo, nem no site do P-SOL nem por parte da mídia de grande alcance.

Achille Lollo é um italiano que militava no Partido Operário nos Anos de Chumbo do terrorismo na Itália. Num episódio que chocou aquele país, em 1973, Lollo e dois companheiros de partido participaram do atentado que ficou conhecido como “Rogo di Primavalle” (incêndio de Primavalle, um bairro da cidade de Roma), onde morreram dois dos filhos de Mario Mattei - gari e secretário da seção do MSI (Movimento Social Italiano, de direita) daquele bairro. Mattei, sua mulher e seus seis filhos moravam em um pequeno apartamento da Rua Bibbiena. Lollo e seus dois comparsas jogaram 5 litros de gasolina por baixo das entradas da residência onde a família vivia e atearam fogo. O casal conseguiu escapar, junto com quatro filhos; mas Virgilio, de oito anos, não conseguiu sair de seu quarto e Stefano, seu irmão de 22 anos, tentou salvá-lo, mas não conseguiu e os dois morreram queimados.

Em 1987, Achille Lollo e os dois companheiros de partido foram julgados e condenados a 18 anos de prisão. Lollo cumpriu 2 anos e os outros dois nunca foram localizados. Consta que Lollo teria sido solto para cumprir o resto da pena sob condicional, mas, ele fugiu da Itália e veio para o Brasil. Em 1993, como parte da nova ofensiva do Ministério Público italiano contra os procurados por terrorismo no exterior, o governo italiano pediu a extradição de Achille Lollo (3). Entretanto, o governo brasileiro negou-se a extraditá-lo, sustentando que, pela nossa Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”. Assim, ele vive até hoje no país, mas não como um simples e pacato cidadão que, pela situação de fugitivo da justiça italiana, se imaginaria dever ser seu comportamento. Ao contrário, ainda um cidadão italiano, Achille Lollo é Presidente da Associação para o Desenvolvimento da Imprensa Alternativa (Adia), é diretor e editor da revista trimestral Crítica Social e, ao lado da senadora Heloísa Helena, co-fundador do PSOL, partido cujo jornal oficial publica artigos de teoria marxista de sua autoria.

No Blog Síndrome de Estocolmo pode-se ler a declaração de um brasileiro que vive na Itália e que acompanha o caso do incêndio de Primavalle (http://www.sindromedeestocolmo.com/). O texto diz o seguinte:

“O grande Flávio Prada deixou essa excelente contribuição para o post: _ ‘Denise, o caso Achille Lollo é ainda muito comentado por aqui... Somente recentemente ele falou do caso. Disse que a intenção não era matar, mas apenas... de deixar um sinal forte de advertência. Porém, deixou nas entrelinhas, também, que a morte de um fascista não era assim um crime tão grave, era antes, a conseqüência da luta revolucionária... No fim, ele sustenta que foi um acidente... Eles foram armados de gasolina, ácido dentro de preservativos e um estopim. Diz que ninguém botou fogo em nada, pois o preservativo estourou e eles saíram correndo deixando tudo lá. Ele jura até hoje que ouviu vozes do outro lado da porta dizendo: "Eles chegaram" em uma evidência de que estavam sendo esperados. Todo seu depoimento, depois de trinta anos de "silencio ideológico", tenta jogar luz nesse fato, de que o atentado que foi planejado por eles, não deu certo e que foi concluído por outro alguém com o objetivo de culpá-los. Uma história muito obscura e cheia de contradições... O que sobra de tudo isso é que Lollo tem uma história de terrorista e fugitivo, não se mostra particularmente arrependido por isso e parece atuar ainda no mesmo espectro político de sempre...’”.

Mas, como não poderia deixar de ser, Heloísa Helena tem outros companheiros no partido e na coligação PSol-PSTU-PCB pela qual ela concorre à presidência da república. Victor Madeira, dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Federais é um deles. Madeira disse, durante o lançamento oficial da candidatura de HH, no Rio de Janeiro, entre outras coisas, que a meta do seu partido "é eleger Heloísa Helena pelo voto, mas a implantação de um regime socialista por meio do uso de armas também não está descartada", e mais, que "se me perguntarem se fazemos treinamentos com armas, não vou dizer que sim e também que não. Obviamente não vamos entregar o jogo". Ações inconstitucionais também foram defendidas pelo candidato a deputado federal pelo PCB Ilan Pinheiro: "Venceremos pelo voto, mas não descartamos uma militância por meios não institucionais”. Nesse dia, uma empolgada Heloísa dedicou sua campanha aos mortos durante o regime militar e exaltou o companheiro César Benjamin, antigo dissidente do PT e candidato a vice na chapa da senadora, por ter sido “torturado nos porões”, sem ter por isso entregado seus companheiros.

Depois de ler tudo isso sobre os companheiros de HH, vejam com que tamanha incoerência a candidata termina sua entrevista no Jornal Nacional, falando sobre o que considera um bom governo: “Um governo que possa acolher as crianças brasileiras e a juventude brasileira, do mesmo jeito que eu, mãe, acalento os meus próprios filhos. E eu quero também agradecer o carinho, a delicadeza, as flores e os beijinhos que a gente tem recebido nas nossas caminhadas pelo Brasil. É uma luta que tem que fazer nascer um Davi por dia nos nossos corações, nós estamos firmes, fé em Deus e fé na luta do povo sempre”.
Um discurso que ofende a inteligência de quem é bem informado nesse país e uma propaganda enganosa explícita para a maioria propositadamente desinformada dos brasileiros. Uma verdadeira engana “trouxas”!


Publicado no blog: http://infomix-cf.blogspot.com E-mail: chrisfontell@gmail.com

O EXEMPLO DE SÃO PAULO

27.08, 11h21
por Antônio Ermírio De Moraes, na Folha de S. Paulo

Promessas... promessas. Quantas e quantas vezes o caro leitor ouviu do governo a promessa de que vai baixar a carga tributária?

O governo pode argumentar que, em 2005, foram concedidos incentivos como redução do IPI para automóveis, máquinas e equipamentos e diminuição do PIS e Cofins em vendas para a agroindústria, assim como para alguns itens da cesta básica.

Mas a realidade nua e crua mostra que a carga tributária aumentou e bateu um recorde em 2005, tendo chegado a 37,37% do PIB, segundo a Receita Federal (Folha, 25/8). Os brasileiros pagaram, em 2005, R$ 724 bilhões aos governos, dos quais 70% foram para o federal.

O aumento de recursos nos cofres públicos significa uma redução de recursos nos investimentos produtivos. E, ao que parece, a gula governamental está continuando.

Em 2006, de janeiro a julho, o governo federal arrecadou cerca de R$ 222 bilhões -o que significou uma elevação de 3,25% em relação ao mesmo período de 2005.

O mais grave é que, apesar desse aumento, os recursos arrecadados não conseguiram cobrir as despesas correntes, que, em 2006, aumentaram 15%. Nessas condições, os investimentos acabaram ficando com a irrisória quantia de R$ 5,5 bilhões.

Isso não é nada para quem tem quase tudo por ser construído.

Vejo algumas autoridades dizerem que o crescimento da carga tributária foi "saudável", porque decorreu de uma maior obediência por parte dos contribuintes e do maior crescimento da economia.

Não me consta que a informalidade tenha diminuído e que a economia tenha disparado. Mesmo que tivesse, devemos ser castigados pelo fato de termos crescido? Ademais, convém lembrar que os serviços de segurança, justiça, saúde e educação continuam bastante precários.

Onde estão os compromissos públicos de não elevar essa carga? Investimentos da ordem de R$ 5,5 bilhões são ridículos quando vemos nossas estradas em frangalhos e vários outros setores da infra-estrutura estagnados ou em colapso.

Apesar do aumento de carga tributária, tudo indica termos chegado à porta de uma grave crise fiscal, que pode explodir em 2007. Será mais um estelionato.

Inaceitável. Isso não pode continuar. Reduzir a carga tributária é disponibilizar recursos para crescer. O próprio governo ganha com isso. Basta ver o que foi feito no Estado de São Paulo, onde cortes drásticos de ICMS fizeram aumentar a arrecadação do governo. Em suma, temos todos os motivos para exigir do governo o fim da atual gastança e a redução de impostos.

15 Julho, 2006

O QUE É MEU É SEU...

O QUE É MEU É SEU, O QUE É SEU É MEU?

por Ralph J. Hofmann

Se eu pagar o IPTU, meus impostos pessoais, o emplacamento de meu carro, o ICM de minha firma, o IPI de minha indústria, se tiver uma indústria, o INSS, as férias do meu pessoal, o fundo de garantia de meus funcionários, o IOF, o AFRMM, e o II e IPI das minhas importações, vacinar meu gado, usar agrotóxicos aprovados na minha fazenda, seguir à risca as exigências quanto às CIPAS, fornecer treinamento ao pessoal que trabalha no meu comércio, indústria ou empreendimento agrícola, fornecer creche e auxílio-escola para os filhos dos meus empregados, em suma, sejam quais forem meus deveres segundo a lei, eu cumpro, será que poderei dormir tranqüilo à noite?

Decididamente não!

Por mais que eu obedeça à lei, por mais tributos que eu pague fielmente estarei vulnerável. Poderei ser autuado por um fiscal por um mal-entendido ou uma cláusula obscura da lei ou da regulamentação da mesma. Terei duas opções. Contestar a autuação, tendo me descapitalizado depositando a multa em juízo, pagando caríssimos honorários advocatícios. Ou poderei pagar a multa filosoficamente. O próprio ICM pago antes de receber do cliente já é uma distorção da lei. Mas contestar para que? Para receber semanalmente fiscais sondando, pescando, procurando outras falhas no meu sistema. Por mais que se pretenda ser correto, não é possível cumprir tudo, pois a massa de leis, normas, casos específicos é tal que ninguém está em dia com tudo.

Portanto o sócio de toda e qualquer atividade industrial, comercial, de serviços ou agrícola é a autoridade pública, município, estado ou federação.

Seria de supor que este nosso sócio majoritário, em troca dessa massa de receitas recebida das empresas daria ao menos uma cobertura no que diz respeito à integridade de quem cumpre com suas obrigações.

Ledo engano!

Qualquer grupelho que se alegue desvalido hoje pode invadir uma propriedade rural, uma casa vazia com os impostos em dia, um estabelecimento comercial. Em uma sociedade que respeite o pacto de que a contrapartida do pagamento de impostos é a tranqüilidade para desenvolver atividades legais os invasores deveriam ser sumariamente afastados. Doa a quem doa.

Aqui não. O proprietário deve entrar com um pedido de reintegração de posse, o juiz pode demorar dias para concedê-lo, os invasores podem contrapor recursos e por aí afora.

Surge a pergunta. Se a sociedade não dá sua contrapartida não seria questão de barrar a entrada de autoridades em estabelecimentos para fiscalizar o cumprimento da lei pelos seus proprietários? É o caos, mas que legitimidade tem a autoridade que não assegura a imediata remoção e prisão de invasores da propriedade privada. As pessoas que possuem alvará, contrato social, registro de empregados, inscrição estadual, CPJMF hoje estão claramente sendo lesadas, pois não tem garantias de uma contraparte.

Para resgatar essas instituições do estado basta uma coisa. Mostrar que os que cumprem suas obrigações têm preferência. Mostrar que defenderão as pessoas que ao pagar imposto por imposto estão mantendo a estrutura do estado.

Isto é um fator separado da corrupção, dos sanguessugas, do desvio de dinheiro para a aquisição de Land-Rovers. É até separado do contingenciamento de dinheiro para a pesquisa da Embrapa ou combate à febre aftosa. É algo muito mais básico. Ao cumprir com suas obrigações o indivíduo do Brasil pode ou não desenvolver sua atividade profissional com tranqüilidade?

Não vale uma resposta dúbia. Sim pode, mas... “o direito dos Sem Terra...” ou “o direito dos Sem Teto... ou “dos meninos de rua...”. O problema dos grupos especiais não é e não deve ser preocupação de quem já pagou 45% do PIB ao governo.

Na verdade sinto que entre quem trabalha está se consolidando uma posição clara, sintetizada por: “À merda os sem qualquer coisa!”

Esgotaram nossa empatia.

Publicado em www.diegocasagrande.com.br

13 Julho, 2006

ANOS PERDIDOS

ANOS PERDIDOS
12.07, 17h45
por Rodrigo Constantino

Raras vezes na história o mundo viveu um período econômico tão benigno. O crescimento global tem sido espetacular, principalmente para os mercados emergentes. A performance brasileira, quando comparada com o restante, é pior que medíocre. A miopia do povo, entretanto, faz este perceber apenas o crescimento absoluto do país, ignorando o restante do mundo. Quando a comparação torna-se inevitável, os governistas logo apelam para inúmeras escusas – todas apenas falácias. A verdade é insofismável: o Brasil está atolado num lamaçal criado pelo modelo de Estado, completamente inchado e custoso.

Os dados não mentem. Desde 2000, o PIB brasileiro cresceu uma média de 2,5% ao ano. Conseguiu ficar abaixo da América Latina, que cresceu 2,7% ao ano neste período, contando com o peso morto da Argentina, que enfrentou uma grande crise no caminho. O Leste Europeu cresceu 5,3% ao ano desde 2000, enquanto a Ásia emergente cresceu 7% ao ano. A média dos mercados emergentes, ponderada pelo tamanho da economia, foi de 5,6% ao ano desde 2000. A China cresceu 9,3% ao ano, e a Índia cresceu 6,3% ao ano. Não importa com quem comparamos o Brasil, o resultado é o mesmo: uma performance patética.

Alguns falam que a China está em outro estágio de desenvolvimento, saindo de uma base muito baixa. Aí mostramos que o Chile cresceu 4,4% ao ano desde 2000, muito acima do Brasil. Rebatem que o Chile não conta, pois é pequeno demais. Mostramos então o crescimento russo, de 6,7% ao ano. Falam então que a Rússia tem o petróleo. Usamos então a Venezuela, que padece de males similares aos nossos, tendo crescido apenas 2,4% ao ano, não obstante todo seu ouro negro. E a eterna busca de fugas para não enfrentarem a dura realidade prossegue.

Defensores de um modelo mais frouxo de política monetária, dispostos a aceitarem um pouco mais de inflação, colocam a culpa nos altos juros, ignorando que estes são conseqüência, não causa dos problemas. Aderem à uma falsa dicotomia entre inflação e crescimento. Mostramos então que o Brasil teve uma inflação anual de 8,1% desde 2000, enquanto a Ásia emergente, com crescimento muito superior, apresentou inflação de apenas 2,6% ao ano. A média ponderada dos países emergentes foi de 6,3% ao ano, abaixo da inflação brasileira, ainda que com crescimento econômico bem maior. O Chile, nosso vizinho responsável, mostrou inflação de 2,8% ao ano desde 2000. Melhor os “desenvolvimentistas” procurarem alguma outra desculpa esfarrapada qualquer.

Quais as causas dessa performance pífia então? São muitas, claro. Mas podemos resumi-las de forma objetiva em uma única expressão: hipertrofia estatal. Nosso modelo de social-democracia esgotou-se. Desde o advento da democracia, governantes tentam replicar o “welfare state” escandinavo num país miserável e sem liberdade econômica. A demanda social reprimida criou uma tentação irresistível para populistas de plantão, que oferecem mais e mais privilégios sem preocupação com quem paga a conta. A burocracia é asfixiante, a previdência é explosiva, o assistencialismo é enorme e a gastança estatal não tem limites. Faltam recursos para investimento em segurança, necessária para um ambiente favorável aos negócios, e acabam os incentivos aos investimentos privados. O país vira uma guerra de grupos de interesses, todos lutando para apoderar-se de uma fatia maior de um bolo cada vez menor. São milhões para os criminosos do MST, são milhões para as aposentadorias dos servidores públicos, são milhões para as viagens dos políticos, são milhões para a propaganda estatal, são milhões para as esmolas, são milhões desviados em corrupção etc. Os hospedeiros que pagam os impostos não conseguem mais carregar tanto peso.

O reflexo desse modelo perverso, concentrando poder e recursos em demasia no Estado, aparece em alguns indicadores importantes. Os gastos gerais do governo estão chegando a 40% do PIB no Brasil. Esse valor está mais perto dos 30% para a média da América Latina e 20% para a Ásia emergente ou Chile. A dívida bruta consolidada do governo fechou o ano de 2005 praticamente em 75% do PIB. A média do Leste Europeu está em 40% do PIB, e nem chega a tanto na Ásia emergente.

Não podemos mais negar os fatos. A economia brasileira não está nada bem. Estamos com os braços amarrados pela enorme burocracia estatal, enquanto os pés estão atolados nos exorbitantes impostos. Enquanto isso, a globalização e o progresso tecnológico vão abrindo avenidas rumo ao crescimento para os países que fazem o dever de casa. O Brasil, uma vez mais, fica para trás, afundando na areia movediça criada pelo excesso de Estado. São anos perdidos, que não se recuperam mais. O triste é olhar para a frente e ver que as chances de mudança para melhor nos nossos pontos fracos são muito baixas. Quase todos os candidatos falam em aumento de gastos públicos ou recusam-se a atacar as raízes dos problemas, não propondo reformas estruturais amargas porém necessárias. Se os ventos de fora mudarem de direção, os anos perdidos tornar-se-ão décadas perdidas.


http://rodrigoconstantino.blogspot.com

12 Julho, 2006

SÍNDROME

ESTOU COM SÍNDROME DE REGINA DUARTE
11.07, 18h14
por Paulo G. M. de Moura, cientista político

Quem acompanhou a eleição presidencial passada certamente não esqueceu das cenas da Regina Duarte dizendo que temia a eleição desse governo. Ela tinha razão. Não sei se o medo dela se referia, por exemplo, ao que acaba de acontecer com Reinaldo Azevedo - que ao lado de Diogo Mainardi é um dos mais competentes críticos dessa gente que está no poder, na imprensa brasileira - e cuja mãe teve a casa invadida e revirada, num evidente gesto de terrorismo e tentativa infrutífera de intimidação.

Nem todos são capazes de gestos como esse, mas não é de indivíduos que falamos. É do germe do autoritarismo que existe na cultura política do partido no poder. Foi conhecendo de perto esse lado deles, há vinte anos atrás, que perdi minhas ilusões. Graças a eles descobri que Maquiavel tinha razão na sua leitura sobre a natureza humana nas relações de poder e interesse.

Mas Maquiavel pode ser lido com dois olhares. Há quem leia e pratique Maquiavel a partir de uma interpretação literal, como se ainda vivêssemos na Itália renascentista, numa época em que envenenar adversários políticos era o esporte preferido dos jogadores do poder. Há quem o leia e pratique adaptando seus princípios teóricos à realidade das sociedades democráticas em que a violência bruta não se admite como recurso de disputa de poder, a não ser quando o Estado, em nome da Lei, a usa para preservar a ordem e garantir a liberdade dos cidadãos contra seus transgressores.

A sociedade brasileira conheceu, até agora, apenas uma parte de tudo o que eles são capazes no poder e pelo poder. Seu lado corrupto e corruptor. Para quem conhece o movimento sindical, nada disso é novidade. O destino do poder deles estava escrito em seu passado para quem viu na origem, como eu vi, os sinais embrionários de tudo isso que o Brasil descobriu graças ao “garganta profunda”, Roberto Jefferson.

A compra de um exército de parlamentares mercenários para sustentar a “governabilidade” deles; a distribuição de dinheiro farto para as ONGs amigas; a transformação do Estado em cabide de emprego da companheirada; os lucros exorbitantes dos bancos e o bolsa-esmola, são facetas da mesma moeda, de uma cultura política que compra apoios de quem quer vender, enquanto prepara a terra e semeia as condições para consolidar suas posições de poder.

Quando esse dia chegar, se chegar, os primeiros a serem “dispensados”, serão aqueles que venderam apoio, e sem perceber, estavam criando cascavéis sob a própria cama.

A instrumentalização da democracia e o uso do dinheiro público a serviço de um projeto de poder é apenas uma das faces nefastas que estamos conhecendo. A maneira irresponsável com eles administram o dinheiro público nessa véspera de eleição é uma mostra de que eles são capazes de tudo pelo poder, inclusive quebrar o país, desde que ganhem a eleição.

A outra é uso da violência, tal como é comum se ver em eleições sindicais, em que o controle das ricas máquinas burocráticas degenera, não raras vezes, em enfrentamentos físicos e mortes. A luta armada, os seqüestros, os assaltos a bancos já fizeram parte do instrumental dessa gente para quem, em nome da causa, tudo é aceitável e permitido.

Temo que, perdendo ou ganhando a próxima eleição presidencial, o populismo ao estilo de Hugo Chávez, Evo Morales e Lopez Obrador, será o próximo passo deles. Se perderem por uma diferença muito pequena, temo que eles venham a fazer como o populista mexicano Lopez Obrador, recém derrotado por Calderón: deslegitimar a escolha democrática do povo, dividir e conflagrar o país. Vão quebrar o Brasil para se reelegerem e depois vão dizer que é culpa do boicote do imperialismo internacional.

Vocês já pararam para imaginar o que será do MST, da CUT e da UNE sem a mesada do governo? E essa companheirada toda sem emprego, do que não será capaz?

Com um segundo mandato nas mãos, eles vão interpretar a vitória com um aval para tudo o que praticaram no primeiro governo. Com a vitória nas urnas, eles vão partir para cima dos críticos e adversários. Ontem invadiram a casa da mãe do Reinaldo. Amanhã será a sua.

Tendo sido bem sucedidos em comprar apoio de segmentos importantes da elite política e econômica corruptas, para conquistar o poder a partir das bases frágeis do primeiro mandato, ao receber das urnas um segundo mandato, eles irão interpretar que não precisam mais de seus incômodos “companheiros de viagem”. Virá a fase do monopólio do poder; da hegemonia. Da supressão da democracia e da liberdade.

Estou com síndrome de Regina Duarte.


Publicado em www.diegocasagrande.com.br

PARA PENSAR II

AS ‘CRISES’ DA DEMOCRACIA
11.07, 10h38
por Jarbas Passarinho, no Estado de S. Paulo

Faz meio século, pelo menos, que leio ou ouço a profecia de que a democracia corre o perigo de se extinguir. Em 1950, li Harold Laski, o intelectual mais expressivo do Partido Trabalhista inglês. Ele mesmo se classificava como pessimista e argumentava: o mundo manifestava cada vez mais uma profunda desilusão, a nossa geração perdeu sua escala de valores, o laissez-faire é mais odioso inclusive para os próprios protagonistas que o defendiam, a diferença nas condições econômicas é enorme, a Grã-Bretanha havia enriquecido, mas não sabia como aplicar a riqueza nos alvos próprios, como os de caráter social. Finalmente, ao tratar da decadência das instituições representativas, escreveu que na democracia capitalista o primeiro grande elemento de dificuldade provém do tipo de eleitorado, porque a ascensão do capitalismo democrático requer sufrágio universal, que confere poder político às massas de cidadãos, grande parte dos quais só se preocupa com seus próprios interesses. E no sistema em que o dinheiro se sobrepõe aos interesses públicos não se pode pensar em justiça. Socialista fabiano, a crise que ele via era a democracia capitalista.

Dez anos depois de escrever seu livro, discutia-se, nos colóquios de Berlim, a democracia posta à prova no século 20. Começou por definir que democracia existe se a escolha dos governantes e o exercício da autoridade se fizer de conformidade com uma Constituição, se a concorrência dos partidos e dos homens nas eleições for livre e se houver o respeito pelos vencedores temporários da competição, pelas liberdades pessoais, intelectuais e públicas. Até o ano de 1900 não havia um só país em que essas três condições fossem reais. No ano da realização dos colóquios, mais de cem já existiam em regimes democráticos, porém havia uma dualidade. De um lado, as democracias estáveis e, de outro, as instáveis, que geravam despotismos estáveis. As ameaças à democracia são contextuais, derivadas de agressão externa, ou intrínsecas, decorrentes de problemas internos, entre eles os golpes de Estado.

As ameaças contextuais não as temos, até porque não passam de bufonarias as que poderíamos ter. Uma, de parte do presidente Evo Morales, pois a sua referência desairosa à compra do Acre, pelo Brasil, “por um cavalo” não ousaria sugerir retomada do Acre, sem represália, ao contrário das expropriações das refinarias da Petrobrás na Bolívia. O outro é o presidente da Venezuela, com sua política armamentista, seus fuzis russos, seus navios e aviões espanhóis. Aparentemente está querendo mostrar-se habilitado a enfrentar os Estados Unidos da América, país do qual diz que pretende atacar a Venezuela e ameaça até matá-lo. Na América do Sul, é impensável que tenha na cabeça de caudilho alguma intenção de ação militar regional, exceto na sua vizinhança, onde já auxilia a guerrilha comunista na Colômbia, que se mantém ativa há mais de 40 anos e, depois do colapso do comunismo, recebe financiamento do narcotráfico, em troca da garantia que lhe dá. Quanto às ameaças intrínsecas, são passadas e possivelmente uma estratégia de intimidação com fins eleitorais, pois o nosso presidente, a despeito de ter vendido a imagem de revolucionário ao participar do Fórum de São Paulo disposto a “fazer na América do Sul o que fracassou nos países comunistas do Leste Europeu”, é hoje respeitado no mundo como esquerda (que ele nunca assumiu) civilizada e confiável.

A democracia indireta implica o fato de o eleitor abrir mão de sua soberania ao escolher um representante que tenha identidade política com ele e por ele, teoricamente, vote como se ele votasse os projetos de lei. Só existe democracia onde há o Parlamento ativo, o que faz as leis com independência. Daí por que se confunde a democracia representativa com o “Estado parlamentar”. É o que deveria existir no Brasil, não fossem duas deformações: o uso e abuso das medidas provisórias pelo presidente e parte do Parlamento que vendeu o voto do eleitor para receber os dinheiros da dupla Delúbio-Marcos Valério. Nos regimes ditatoriais há câmaras de chancela, Parlamentos totalmente obedientes aos déspotas. Pois o temos aqui, em aparência democrática. Só que, em vez da opressão e delação, quem garante a obediência são os falsos empréstimos bancários bilionários que Delúbio inventou e Genoino avalizou sem ler. Vamos renovar a Câmara dos Deputados e um terço do Senado, em outubro. Com quem? Vejo “mensaleiros” como candidatos. Penso no que será do Brasil com a eleição dos que venderam o voto e voltarão a vender, impunes. Penso nos sanguessugas, dezenas deles, que fizeram emendas para “doar” ambulâncias a prefeitos e ficaram com a diferença resultante, ora do superfaturamento, ora das viaturas entregues sem os complementos essenciais.

Não há quem discorde de que, em toda a nossa vida republicana, nunca houve tanta corrupção em dois dos três Poderes da República. Cento e trinta parlamentares estão sob investigação de formação de quadrilha, extorsão, estelionato. Serão candidatos em outubro. Os corrompidos pelo mensalão foram quase todos absolvidos, e estão de volta. Marcos Valério, o caixa da compra de votos, em vez de hóspede de cárcere, muda para uma casa de R$ 10 milhões. Com essa lama pútrida, se reeleito, Lula comporá a base parlamentar de sustentação do seu governo. Bela sociedade! O presidente alicia parlamentares importantes, nomeando seus indicados para os Correios, foco original dos escândalos. Garante, assim, a lealdade a ele. Penso no que será da democracia representativa com essa malta no Congresso, associada a um presidente que, na sua cara, em cerimônia no TSE, o presidente nacional da OAB disse que nos falta compostura.

PARA PENSAR

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA
11.07, 00h31
Diego Casagrande, jornalista

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio. Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevê e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades. Não espere tanques nas ruas. Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e estrelinha vermelha circulando nas cidades. Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.

A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar. Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valoração do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem. Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática. Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos não serve. Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações. Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser “humano” e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros. Ter é incompatível com o ser.

Esse é o princípio que estamos presenciando. Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por conseqüência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem. A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples. Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental - que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário. Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.

No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo. São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa. Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos. Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que “tem” e é “dono” de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito.

Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro “Geografia”, obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro. O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade. Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de “alguns” e que assentamentos e pequenas propriedades familiares “são de todos”. Aprendem que “trabalhar livre, sem patrão” é “benefício de toda a comunidade”. Aprendem que assentamentos são “uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais”. E também aprendem a ler um enorme texto de... adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros. O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence. Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em palavras ao descrever que “meninos e meninas, a nova geração de assentados... formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST”.

Essa é a revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas. Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático. Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazi-fascista.

Tristes são as conseqüências. Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio. Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim. A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.

O antídoto para a revolução silenciosa? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. Não há silêncio que resista ao barulho.

Publicado em www.diegocasagrande.com.br

15 Junho, 2006

Fantasia

Maria Nascimento Santos Carvalho

Meu sonho era fazer versos um dia...
E, quando, às vezes, triste me encontrava,
fingia que chorava de alegria,
quando era de tristeza que eu chorava!

E percebi que até numa poesia,
que entre lágrimas tristes me brotava,
como um divino toque de magia,
mesmo sofrendo, assim me reanimava!

Foi tudo em vão, porque, fazendo versos,
eu nem notei que os meus sonhos dispersos
transcendiam meu mundo pequenino.

E, na angústia de quem sempre sofreu,
então, pergunto a Deus por que me deu
um sonho bem maior que o meu Destino...


Todos os direitos reservados à autora

13 Maio, 2006

RECOMENDO

ATUALÍSSIMO !

Leia, sem delongas, "A revolução dos bichos" de George Orwell.
Nele, a chave para compreender o atual momento vivido em nosso País. Mas não se surpreenda ao saber que foi escrito em 1945.
Ali descobre-se porque e como "alguns são mais iguais".

NÃO PERCA - este livro pode ser decisivo para o futuro do Brasil e da América (latina ou não...)

Terei imenso prazer em receber seus comentários.


Nota: Está disponível na internet em formato PDF

MÃES

Comemora-se, neste mês, o dia das mães.

Lugar comum em todo o mundo, farto de frases feitas e pensamentos pré-concebidos, não raras vezes hipócritas.

No entanto, forçoso é admitirmos a grandiosidade da maternidade e sua importância vital para os destinos da humanidade.

Não há um sequer de nós que não as tivemos.

Afinal, a Natureza impõem pela sua magnificência. Há mães de gênios e de criminosos, luminares e bestialidades.
Há até mãe de juiz - tantas vezes lembrada e elogiada- "mãe brasileira" e outras - de "democratas" ou nem tanto.

Mães vestidas e travestidas de tantas colorações quantas são as opções dos seres que elas geraram - com carinho - em seu ventre, inchado de esperanças, prenhe de sonhos.

Alguns, frutos da barbárie, da ignorância, do despreparo, da vilania, mas sempre ventres de mãe.

E então, longe de pieguices esquecidas no dia seguinte, mas com o reconhecimento justo do merecimento de todas e cada uma, lembro aos meus leitores de que até mesmo o Senhor, na sua onipotência, viu-se na impossibilidade de privar-se de seu auxílio.

Assim, sejam todas abençoadas na figura de Maria todas as "marias" do universo, não importa que lingua falem ou que crença professem.

Portanto, unamo-nos em prece neste momento, pedindo ao Grande Criador do Universo que as bendiga pelo que representam em seu ato incessante de amor.

Que lhes dê a paz e a sabedoría necessárias, a cada uma uma conforme seu merecimento, por um mundo melhor.

10 Março, 2006

A RATOEIRA

Houve, uma vez, uma fazenda onde todos eram felizes. Cada um à sua maneira, viviam todos da forma mais harmoniosa e pacífica. Um dos ratos, um dia, olhando pelo buraco que lhe servia de espia de segurança (que nunca é demais tê-lo), viu o fazendeiro e sua espôsa abrindo um pacote. Logo pensou que tipo de comida gostosa deveria ter alí. Aterrorizado, verificou que se tratava de uma ratoeira e correu ao pátio advertindo a todos:

"-Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa...!!!-"

A galinha logo se manifestou dizendo:

"Desculpe-me Sr. rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda..."

O rato foi até ao porco e disse-lhe:

"Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira.....!!!!".

"Desculpe-me Sr. rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar e desejar-lhe boa sorte. Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas preces."

O rato dirigiu-se, então, à vaca, que lhe disse:

"O que, Sr. rato ? - uma ratoeira ? - Por acaso eu estou em perigo ?"

Feito isto, voltou o rato cabisbaixo e ainda mais preocupado do que quando houvera saido.

Tería de enfrentar o risco de uma ratoeira e estava só!

Naquela noite ouviu-se um estalido seco, a ratoeira tinha funcionado...A mulher do fazendeiro correu para verificar o que havia pego. No escuro, ela não viu que na ratoeira havia uma cobra presa pela cauda.

E a cobra picou a mulher!

O fazendeiro, desesperado pelo que viu, levou sua mulher imediatamente ao hospital. Ela voltou com muita febre e inchada. Como havia necessidade de alimentação especial, nada melhor do que uma canja de galinha, o que foi, de pronto, providenciada.
E a situação não melhorava, pelo contrário. Os amigos e vizinhos, em grande quantidade, vieram visitá-la.
Não restava pois alternativa ao fazendeiro senão matar o porco para obsequiá-los.

E assim foi feito.

O fato é que a mulher não reagia mais ao tratamento e acabou morrendo.
Muita gente, de todas as partes, veio para o funeral.

Então, triste sina a dela, a vaca foi sacrificada para alimentar aquele povo todo... .


Da próxima vez que alguém lhe disser que está com um problema e você achar que não lhe diz respeito, lembre-se:

Sempre que houver uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco !


O problema de um é o problema de todos.



"Qualquer semelhança com fatos e situações não será mera coincidência"

19 Fevereiro, 2006




E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha,... Mas brilha.

E achei que nenhum pássaro cantasse, se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta,... Mas canta.

Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o inseto pega ou o espinho oculto na macega,... Mas rega.

Pensei, também, que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja, no silêncio da noite sertaneja, sobre as ruínas de esquecida igreja,... Mas beija.

Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue deprava, quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava,... Mas lava.

Apostei que nenhuma borboleta - por ser um vivo exemplo de esperança - dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo de uma criança,... Mas dança.

E eu pensei que o sol não mais aquecesse os campos que a guerra empobrece, onde tomba do homem a própria espécie, e a sombra da dor enlouquece,... Mas aquece.

Por isso achei que eu não mais fizesse poema algum, após tanto embaraço, tanta decepção, tanto cansaço e tanta espera, em vão, por teu abraço,... Mas faço.


Autor desconhecido. Roga-se a quem souber, a gentileza de informar...

Nosso Medo

Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: - quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso ?
Na realidade, quem é você para não ser ? - Você é filho do Universo.

Se você se fizer de pequeno não ajuda o mundo, não há iluminação em se encolher para que os outros não se sintam inseguros, quando estiverem perto de você. Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós, está em todos nós.
Conforme deixarmos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
Quando nos libertamos do nosso medo, nossa presença automáticamente libera os outros.

Livre-se dos seus medos e vá ao encontro da sua tão sonhada FELICIDADE!

Nelson Mandela

22 Janeiro, 2006

À quem devemos...

Já vivi o bastante para presenciar três períodos distintos no comportamento das pessoas.

O primeiro momento eu viví na infância, quando aprendi com meus pais que era preciso ser.
Ser honesto, ser educado, ser digno, ser respeitoso, ser amigo, ser leal, ser persistente.

Algumas décadas mais tarde, fui testemunha ocular da fase do ter. Era preciso ter. Ter boa aparência, ter dinheiro, ter status social, ter coisas e bens. Ter e ter... Na atualidade estou presenciando a fase do faz de conta.
Hoje, as pessoas fazem de conta e está tudo bem !
Pais fazem de conta que educam, professores fazem de conta que ensinam, alunos fazem de conta que aprendem. Profissionais fazem de conta que são competentes, governantes fazem de conta que se preocupam com o povo e o povo faz de conta que acredita.
Pessoas fazem de conta que são honestas, líderes religiosos se fazem passar por representantes de Deus, e fiéis fazem de conta que tem fé. Alguns até matam em Seu nome. Doentes fazem de conta que tem saúde, criminosos fazem de conta que são dignos, e a justiça faz de conta que é imparcial. Traficantes se passam por cidadãos de bem e consumidores de drogas fazem de conta que não contribuem com o mercado do crime. Pais fazem de conta que não sabem que seus filhos usam drogas, que se prostituem, que estão se matando aos poucos, e os filhos fazem de conta que não sabem que os pais sabem. Corruptos se fazem passar por idealistas e terroristas fazem de conta que são justiceiros... E, a maioria da população faz de conta que está tudo bem...
e que nada disso é com êles. Mas uma coisa é certa: - não podemos fazer de conta quando nos olhamos no espelho da própria consciência. Podemos até arranjar desculpas para explicar nosso faz de conta, mas não justificamos. Importante salientar, todavía, que essa representação no dia-a-dia, esse faz-de-conta, causa prejuízo para aqueles que lançam mão desse tipo de comportamento. A pessoa que age assim termina confundindo a sí mesma e caindo em um vazio, pois nem ela mesma sabe quem é e de fato acaba se traíndo em algum momento.

"Ninguém irá tão longe que suas próprias obras não o alcancem".

E isso é extremamente cansativo e desgastante. Raras pessoas são realmente autênticas e, por isso elas se destacam nos ambientes em que se movimentam. São aquelas que não representam, apenas são o que são, sem fazer de conta. São profissionais éticos e competentes, amigos leais, pais zelosos na educação dos filhos, políticos honestos, religiosos fiéis aos ensinos que ministram, magistrados que se submetem à Lei e as fazem cumprir. São, enfim, pessoas especiais , descomplicadas, de atitudes simples mas absolutamente coerentes e fiéis a sí próprias. Se é fácil enganar os outros, é impossível fazer o mesmo com a própria consciência. Por todas estas razões, vale a pena ser quem se é, ainda que isso possa não agradar à alguns outros. Não há como fazer concessões. Afinal, não é aos outros que teremos de prestar contas de nossos atos e sim, à Deus e à nossa consciência.

Texto original publicado no Momento Espírita- (adaptado por Sergio A. Sempé)

21 Janeiro, 2006

Ói eu aí, cabra da peste... Mas bah...tchê. Posted by Picasa

19 Janeiro, 2006

Resisto

À pobreza de espírito - resisto.

Ao desamor e à falta de solidariedade humana - resisto.

Ao imoral salário mínimo (ou será máximo?...) - resisto.

Ao pornográfico saque ao bolso de quem constrói a nação - resisto.

Aos "Donos da República", "Pais da Pátria" - resisto.

À impudica amoralidade política que viceja em nosso país - resisto.

À desfaçatez da defesa de valores indefensáveis - resisto.

Ao tratamento desumano e imoral a que são submetidos os (mais) velhos - resisto.

Aos manipuladores que se empanturram com a interminável "massa de manobra". - resisto.

À
segregação de qualquer espécie, venha de onde vier e a que título for - resisto.


À dominação do homem pelo homem - resisto.

À dor e à fome - resisto.


Aos teus encantos - Ah, os teus encantos...

Canto de amor a Bahia (excerto)



"Se gostas do teu marido
por que vens na minha frente,
tuas ancas rebolar...?"


JORGE AMADO

17 Janeiro, 2006

O SONHO DOS RATOS

Texto adaptado por Sergio A. Sempé

(Rubens Alves)

Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha.
Havia ratos de todos os tipos, grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade...,mas ninguém ligava para as diferenças porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso e que estava bem pertinho de seus focinhos.

Comer o queijo seria a suprema felicidade...

Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, por que entre ele e os ratos havia um gato...; - o gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca...
Por vezes fingia dormir, mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...

Os ratos odiavam o gato e quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio ao inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: - queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro.

“Precisamos socializar o queijo ! ”

Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato – não se sabe bem para quem – e chegaram mesmo a escrever livros com a “crítica filosófica dos gatos”.
Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos, então, seriam iguais.
“Quando se estabelecer a ditadura dos ratos, então todos serão felizes”, diziam os camundongos.
“O queijo é grande o bastante para todos”, dizia um.
“Socializaremos o queijo”, dizia outro. Todos batiam palmas e cantavam a mesma canção – era comovente ver tanta fraternidade.
Como sería bonito quando o gato morresse!..., Sonhavam. Nos seus sonhos comiam o queijo e, quanto mais o comiam, mais ele crescia, porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem, crescem sempre.

E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: “O queijo já!". Sem que ninguém soubesse explicar como, é fato que certa manhã, ao acordarem, o gato havia sumido...

O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco; - olharam cuidadosamente ao redor – aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo.
CHEGARA O DIA GLORIOSO e, dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria.

Todos se lançaram direto ao queijo, irmanados numa fome comum.

E foi então que a transformação aconteceu, bastou a primeira mordida...

“Este naco é meu !.”

Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.

Assim, quanto maior o número de ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um.

Os ratos começaram a olhar uns para os outros, como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo haviam comido.
E os olhares se enfureceram, arreganharam os dentes, esqueceram-se do gato. Eram seus próprios inimigos.

A briga começou...

Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas e, ato contínuo, começaram a brigar entre si. – Alguns ameaçaram de chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem.

O projeto de socialização do queijo foi aprovado, nos seguintes termos:

“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado de seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”.

Como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar eternamente esperando e, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo; - tinham todos o jeito do gato, o olhar malvado, as presas à mostra...

Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. O que teria acontecido?

Constataram, então, que não havia mais diferença alguma, pois todo o rato que fica dono do queijo vira gato e, não é por acidente que até os nomes são tão parecidos...

04 Janeiro, 2006

ARTE - Trabalho de Vera Lúcia Chaves

Posted by Picasa

03 Janeiro, 2006

Strelitzia regina - Flor exótica

Foto de Sergio Augusto Sempé

02 Janeiro, 2006

DESEJOS


Desejo, antes de tudo, que cresçais. E, crescendo, possais ajudar vossos irmãos a galgar a parede íngreme e lisa do conhecimento. Que sofrais, pois que sofrendo podereis melhor valorizar o sofrimento alheio, absorvendo-o e compreendendo-o e, assim, fazê-lo menor. - Que ameis, pois amando carregareis em vosso peito, aconchegada das intempéries da vida, acobertada pelo telhado do acalento, a semente da Paz. - Que pranteeeis, pois que ao prantear vossas dores aprendereis a minorá-las em outros corações, não esquecendo de que aquele que se dedica a enxugar lágrimas alheias não terá tempo para chorar. - Que possais sorrir e, sorrindo, ilumineis o coração nebuloso de quem ainda não encontrou o caminho. - Que sejais felizes pois que, ao sê-lo, proporcionareis o mesmo aos vossos irmãos de caminhada, e a vossa alma estará limpa e o coração apaziguado. - Que a esperança seja a alavanca que elevará vossas vidas. - Muita Luz!
Sergio Augusto Sempé

30 Dezembro, 2005

Rir e coçar...é questão de começar.

CARRETA - Foto de Sergio A. Sempé

Olá.
Como é comum acontecer com todas as coisas que empreendemos, parece que a maior dificuldade - ou a primeira - é o pontapé inicial. Pois está dado!.
De agora em diante, é bem possível que estaremos conversando com maior fluência, tropeçando menos no vernáculo, usando de maior clareza e discernimento para expressar nossos arroubos e rompantes. Mas, como estamos no limiar de um novo ano e, apesar de tudo, de forma inevitável e incorrigível continuamos acreditando no afloramento da grandeza do ser humano, é que desejo a todos os que me derem a honra da sua visita: Saúde, sabedoria, prosperidade e paz.
O que fazer para que isso se torne realidade?
Exercitando a tolerância, a solidariedade, o respeito. Enfim, aplicando o AMOR em tudo o que fizermos. Se não for por respeito ao próximo, pelo menos para satisfazer ao próprio ego. Bom proveito.